Acesso seguro a dados HART sem alterar a arquitetura da planta

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Acesso seguro a dados HART sem alterar a arquitetura da planta

A maior parte dos ambientes de produção foi construída ao longo de décadas de evolução da Tecnologia de Automação (OT, também chamada de Tecnologia Operacional). São infraestruturas estáveis, reguladas e deliberadamente difíceis de modificar, especialmente na indústria de processo.

Essa estabilidade operacional é justamente um dos principais motivos pelos quais mudanças na arquitetura dessas plantas precisam ser cuidadosamente avaliadas.

Ao mesmo tempo, a transformação digital avança, pressionando as indústrias a digitalizar dados de campo, modernizar fluxos de comissionamento e reduzir a dependência de intervenções presenciais. É justamente no espaço entre esses dois mundos que muitas iniciativas acabam restritas a projetos-piloto, sem avançar para implantação em escala operacional.

Como acessar e utilizar, de forma segura, dados de dispositivos HART por meio de aplicações executadas na camada edge, sem alterar a arquitetura existente, substituir hardware ou introduzir novos riscos operacionais?

Em uma arquitetura industrial real, a Westcon demonstrou na prática como esse desafio pode ser superado utilizando o Portainer para gerenciar aplicações executadas em um dispositivo edge (ou seja, um equipamento instalado na própria planta, próximo ao processo industrial) e o smartLink SW-HT da Softing para prover conectividade HART.

Com essa abordagem, os dados dos dispositivos HART passam a ser integrados de forma segura ao sistema de gestão de ativos, sem necessidade de alterações na arquitetura OT da planta.

 

O verdadeiro obstáculo

Dispositivos de campo com HART já estão amplamente presentes em ativos de óleo e gás. Eles fornecem as informações necessárias para comissionamento, diagnóstico e gestão de ciclo de vida.

O desafio não está na capacidade dos dispositivos, mas sim no acesso seguro aos dados.

Em muitos cenários, a interação com esses equipamentos ainda depende de ferramentas locais, hardware dedicado ou presença física em campo. Isso limita a escalabilidade, desacelera projetos, aumenta custos e pode introduzir riscos de segurança quando o acesso remoto é implementado posteriormente, de forma improvisada.

O que usuários realmente buscam é simples:

  • acesso remoto seguro aos dados dos dispositivos;
  • nenhuma alteração em firewalls ou redes OT;
  • independência de gateways proprietários;
  • um modelo escalável e facilmente replicável entre plantas e fornecedores.

A demonstração foi concebida justamente para validar esses requisitos em um ambiente real de edge industrial.

 

Novos recursos no edge sem alterar a arquitetura OT existente

A proposta parte de um princípio simples: preservar a arquitetura OT existente e acrescentar novos recursos e funcionalidades por meio de software executado no edge. Fazendo uso da camada de edge industrial, as aplicações processam dados localmente, perto das máquinas, garantindo baixa latência e alta disponibilidade.

Infográfico

No cenário avaliado, o Softing smartLink SW-HT é executado como uma aplicação containerizada em um dispositivo edge, comunicando-se com os dispositivos HART por meio da infraestrutura já existente de CLPs, utilizando o protocolo padrão HART-IP, sem necessidade de alterações de protocolo ou do uso de gateways proprietários adicionais.

O Portainer gerencia a implantação e o ciclo de vida dessa aplicação de forma centralizada. O dispositivo edge estabelece uma conexão criptografada de saída com o servidor do Portainer, eliminando acessos de entrada à rede OT e qualquer modificação em regras de firewall.

Com isso, preserva-se o princípio de isolamento da rede OT: toda comunicação é iniciada a partir da própria planta, os ambientes permanecem fechados por padrão, o controle continua local e todas as conexões podem ser controladas e auditadas.

 

O que muda na prática

Comissionamento e substituição mais rápidos

Equipes de engenharia podem acessar remotamente dispositivos HART utilizando ferramentas padrão, como FieldCare ou PACTware. Isso reduz a necessidade de visitas a campo e encurta ciclos de comissionamento. Uma vez implementada em uma planta, a mesma arquitetura pode ser replicada em outros sites sem alterações na OT existente, favorecendo padronização e escalabilidade.

 

Maior visibilidade sem centralizar o controle

Os dados dos dispositivos ficam disponíveis quando necessário, preservando a autonomia operacional dos ambientes de edge e mantendo requisitos de resiliência e segurança.

 

Redução de custos de infraestrutura e ciclo de vida

A conectividade baseada em software e a implantação em containers eliminam a necessidade de gateways dedicados. A expansão passa a depender apenas do número de licenças ao invés de equipamentos físicos.

O investimento acompanha diretamente essa escala operacional da solução, reduzindo custos de implantação, manutenção e ciclo de vida e simplificando a expansão entre plantas e áreas operacionais.

 

Segurança alinhada às restrições da OT

Toda comunicação é iniciada internamente à rede OT, sem necessidade de expor a rede industrial a conexões iniciadas externamente. O modelo segue práticas modernas de cibersegurança e preserva os requisitos operacionais típicos da indústria de processo.

 

Não é apenas tecnologia. É um modelo.

Em ambientes industriais que avançam em transformação digital, o ponto central desta demonstração não é a tecnologia isoladamente, mas sim o padrão arquitetural que ela viabiliza.

Imagem aérea de um complexo industrial com processos de óleo e gás.

Modernizar não exige substituir sistemas de controle, redesenhar redes ou transformar equipes de OT em especialistas em plataformas de software. Tampouco implica aceitar novos riscos cibernéticos como contrapartida do avanço digital.

O que realmente importa é um modelo claro:

  • preservar investimentos existentes em OT;
  • introduzir novos recursos e funcionalidades por software na camada edge;
  • gerenciar essas funções de forma centralizada, sem criar ponto único de falha;

Esse modelo é replicável. Funciona em óleo e gás, opera em redes fechadas e reguladas e é compatível com as equipes e infraestruturas já existentes.

 

A digitalização é inevitável. Por onde começar sem comprometer a operação?

Para empresas de óleo e gás, a digitalização dos dados de campo deixou de ser uma possibilidade futura. O desafio agora é avançar sem aumentar riscos ou complexidade.

A transição de projetos-piloto para implantações em escala operacional exige parceiros que compreendam profundamente a realidade industrial, desde a arquitetura de redes até os requisitos de segurança e operação contínua.

Este exemplo oferece uma base concreta para organizações que buscam modernizar o acesso a dados de campo preservando segurança, confiabilidade e continuidade operacional.

 

Quer se aprofundar?

Disponibilizamos um artigo técnico completo, que descreve em detalhe a arquitetura utilizada, os testes realizados e os resultados obtidos nesta demonstração.

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